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Quinta, 13 Dez 2018

A 1km de cratera gigante, moradores de vila de pescadores temem tragédia na BA: 'A gente pode amanhecer morto'

Os moradores da vila de pescadores que fica a cerca de 1km da área onde surgiu uma cratera gigante, na Ilha de Matarandiba, na Bahia, estão com medo de continuar na comunidade por conta do buraco. Entre os habitantes do povoado, que pertence à cidade de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, o clima é de tensão.

A cratera foi descoberta no dia 30 de maio, mas, segundo os moradores da comunidade, só foi divulgada no dia 6 de junho. Com 71,7m de comprimento por 29,7m de largura, e 45,4m de profundidade, o buraco fica na propriedade da mineradora multinacional americana Dow Química, que extrai salmora na ilha. O mineral é uma mistura de água e sal usada na fabricação de produtos químicos.

A atividade da empresa pode estar ligada ao surgimento da cratera. A situação está sob investigação. Materiais coletados no local pela mineradora serão analisados na Alemanha. A previsão é que os resultados dos estudos para descobrir as causas da erosão saiam em quatro a seis meses.

Enquanto o mistério não é desvendado, a cratera tira o sono dos moradores da região. Entre eles, está a aposentada Angelina Guedes Souza, de 93 anos, que foi criada na ilha. A idosa contou ao G1 que está apreensiva e teme morrer em um desastre.

Além de dona Angelina, a amiga e vizinha dela, Maria Mercedes Pereira, de 79 anos, também tem sofrido com a preocupação. A aposentada conta que a tranquilidade do local se perdeu desde o surgimento do buraco.

Apesar do problema, dona Maria Mercedes diz que pretende continuar na ilha o quanto puder, mesmo com o medo.

Contudo, segundo o estudante Marcone Barauna, de 17 anos, algumas pessoas já deixaram a ilha após o surgimento da cratera. O adolescente diz que a tensão é grande na região.

Desde o surgimento da cratera, a Dow Química já fez três reuniões para falar sobre o problema. A primeira, restrita a integrantes de duas associações da vila, ocorreu no dia 6 de junho. As outras duas, com a presença de todos os moradores, foram realizadas nos dias 9 e 14, segundo conta a conselheira administrativa da Associação Comunitária de Matarandiba (Ascoma), Elisangela Lopes, de 45 anos.

“No dia 6 [de junho], foi o primeiro contato que a associação teve com a Dow Química para falar sobre essa erosão. E, lá, eles informaram para a gente que tinha poucas informações, porque tinham descoberto no dia 30 de maio. No dia 14, que tivemos uma reunião com mais informações", contou Elisangela.

Conforme Elisangela, um novo encontro entre os moradores de Matarandiba e representantes da empresa está marcado para o dia 28 de junho. Até lá, a população da comunidade, formada por cerca de 800 pessoas, convive com o medo.

"A empresa está prestando alguns esclarecimentos para a gente, mas, mesmo assim, ainda não são suficientes para poder, de fato, confortar a gente. Para poder, de fato, estar despreocupado da cratera", disse o estudante Marcone Barauna.

Em nota, a Dow informou que a comunidade e órgãos competentes têm sido periodicamente informados sobre a erosão e sobre as providências da empresa. E que, a pedido da comunidade, uma linha direta de acesso, via WhatsApp, foi providenciada para que os moradores possam contatar diretamente a empresa.

Matarandiba

O povoado de Matarandiba existe há mais de 100 anos. A Dow Química, no entanto, iniciou as operações na ilha há cerca de 40, segundo os moradores. Antes da empresa se instalar na região, a vila possuía poucas casas, não tinha energia elétrica e não havia acesso por terra. Para chegar ao local, era preciso o uso de barcos. Como conta a moradora Maria Mercedes.

De acordo com os moradores da vila, o caminho por terra foi construído pela mineradora que aterrou uma região da ilha após sua instalação. Atualmente, para chegar à vila, é preciso percorrer a BA-001 e, depois, seguir por uma estrada de barro, que liga a rodovia estadual ao povoado. O percurso entre o acesso e a comunidade é de mais de 7km. A viagem dura cerca de 20 minutos.

"O morador não pode contar com atendimento médico urgente rápido, por conta da distância. Em questão de segurança, se a gente acionar uma viatura, vai demorar um certo tempo para chegar, por conta da distância", contou o estudante Marcone Barauna.

Para pegar a estrada de barro, é preciso passar por uma portaria, instalada pela Dow. A empresa fica localizada no meio do percurso. Durante boa parte do caminho entre a rodovia e a vila, é possível ver as tubulações por onde a mineradora transporta a salmora que extrai da ilha para Salvador.

Apesar da riqueza mineral, a economia da vila de Matarandiba é mantida pela pesca e mariscagem, por conta do manguezal que rodeia a ilha. A maioria dos habitantes do local pratica as atividades.

Na comunidade, o transporte é feito por micro-ônibus comunitários e alternativos. Com horários marcados para a saída e retorno para a vila, os coletivos fazem viagens no início da manhã e durante a tarde. À noite, o serviço não funciona. As passagens custam entre R$ 3,50 e R$ 5.

Além de um posto de saúde, dentro da vila existem duas escolas da rede municipal de ensino, que oferecem aulas até o 5º ano. Os estudantes mais velhos frequentam escolas em outras comunidades.

"Os jovens, quando saem da comunidade, vão para Tairu, que é uma outra comunidade, a cerca de 12km de Matarandiba. Lá eles estudam do 6º ao 9º ano. De lá, eles vão para Mar Grande, onde ficam até o 3º ano. A distância é de 30 km", explica o estudante Marcone Barauna.

Cratera

A cratera de Matarandiba fica localizada no meio da mata nativa da ilha, a cerca de 1km da vila. Desde que o buraco foi descoberto, o comprimento dele cresceu cerca de 2,7 metros. De acordo com a empresa, o aumento era esperado, uma vez que, sob o ponto de vista técnico, a tendência é que materiais localizados nas bordas caiam na cratera. Por outro lado, isso faz com que a profundidade diminua.

Para evitar acidentes, foi isolada uma área de 30 metros de distância da borda da erosão. A Dow diz que uma barreira física maior está sendo construída com o suporte da Defesa Civil e Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Além disso, placas indicativas de perigo foram instaladas e um segurança foi posicionado para evitar que pessoas ultrapassem a barreira.

Segundo a Dow Química, o material da cratera enviado para a Alemanha passará por um estudo geomecânico, que consiste na análise de dados geológicos que serão modelados em um software de alta precisão, para avaliar o estresse do subsolo e entender a origem da erosão.

Além desse estudo, de acordo com a Dow, uma equipe de especialistas está avaliando a cratera, chefiada por um geólogo norte-americano da Dow. A empresa informou ainda que, além do estudo geomecânico, está atuando em outras duas frentes para apurar a causa da erosão e avaliar a eventual possibilidade de novas ocorrências:

Dados de satélites de alta resolução: tecnologia que permite monitorar e resgatar o histórico de movimentações do solo de toda a região da ilha com nível de precisão milimétrica, o que permite identificar qualquer variação no solo da região. Isso permitirá determinar a data que a cratera começou a surgir.

Microssísmico: instalação de micro-sensores para monitorar qualquer movimentação horizontal ou vertical e qualquer eventual possibilidade de novas ocorrências.

Hipóteses

O geofísico, geólogo e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Marcos Botelho diz que ainda é cedo para cravar o que provocou o surgimento da cratera, mas afirma que, em sua opinião, há duas hipóteses.

A primeira delas é que um fluxo de água subterrâneo fez com que, ao longo dos anos, os sedimentos da superfície fossem arrastados, o que fez surgir uma cratera. Outra hipótese é que uma falha natural já existente no local pode ter sido acentuada em decorrência da exploração da Dow no espaço.

Em nota, a Dow informou que, desde que iniciou operações na Bahia, na década de 60, nunca houve registro de danos ao meio ambiente provocados pela empresa. Afirma também a cratera está há mais de 200 metros de um poço que está fora de operação desde 1985, e que, portanto, há mais de 30 anos nenhuma atividade foi realizada no local.


Por Alan Oliveira, G1 BA/Foto: Alan Oliveira/G1.

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