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Quarta, 12 Dez 2018

Uma dor que não se fala: Bahia registra um suicídio por dia em 2017

“Vai passar... ”, “É assim mesmo...” eram respostas que Amanda Monteiro ouvia quando contava como se sentia. Mas nos momentos em que estava triste e angustiada, achando que não tinha lugar no mundo, a jovem de 22 anos não queria escutar nada.

“Só queria não me sentir sozinha”, lembra a estudante de enfermagem. O sofrimento era tanto que ela tentou suicídio três vezes em duas semanas.  “Nos momentos de dor, a gente não quer que o outro esteja ali. A gente quer que ele seja: seja amável, seja gentil”, destaca, seis meses depois.

Diogo Garrido preferia guardar tudo para si, por receio que seus sentimentos fossem encarados como drama. Nas vezes em que falou, o estudante de Letras escutou dos amigos e da família: “É uma fase, vai passar”.

Após duas tentativas de suicídio e três meses de internação em uma clínica particular, o jovem de 24 anos faz questão de contar o que vem enfrentando para alertar outras pessoas sobre o tema: “dor não tem régua, não existe uma medida universal. Cada pessoa sabe o que está passando”.

O suicídio ainda é tabu, embora represente a causa de morte de aproximadamente um milhão de pessoas no mundo por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na Bahia, a dor que não se fala mata uma pessoa por dia. Até 9 de novembro de 2017, o estado registrou oficialmente 373 suicídios - 23% dos casos foram cometidos por jovens entre 15 e 29, como Amanda e Diogo, e 9% por idosos acima de 70 anos.

No Brasil, suicídio é a terceira causa de morte na juventude, atrás apenas de homicídios e acidentes de trânsito, de acordo com o Mapa da Violência (2014).

Os idosos representam as maiores taxas no país, com 8 suicídios para cada 100 mil habitantes. Entre 2002 e 2012, o Brasil passou de 4,4 para 5,3 suicidas por 100 mil habitantes, o que representa um crescimento de 20,3%. Em 2012, a Bahia tinha uma taxa de 3,4 suicídios por 100 mil habitantes, com um aumento de 92% no mesmo período.

Em 2016, foram computados no estado 412 suicídios de pessoas de distintas classes sociais, gêneros, escolaridades e profissões. A taxa foi de aproximadamente 2,7 suicidas por 100 mil habitantes, mas isso não significa que a luz amarela deva ser desligada.

Os números, inclusive, podem ser mais altos, pois nem todas as ocorrências são notificadas, o que é obrigatório no sistema de saúde brasileiro desde 2014. Além disso, alguns casos entram em outras estatísticas, como acidente de trânsito, por exemplo.

Sinais

Muitas mortes por suicídio poderiam ser prevenidas se os sinais e fatores de risco associados ao ato fossem discutidos abertamente, não somente no setembro Amarelo - campanha que há três anos alerta os brasileiros sobre a necessidade de se falar sobre o tema.

Amigos e parentes próximos terminam tendo os primeiros contatos com as ideações suicidas de um indivíduo que sofre uma dor existencial. Quando isso acontece, é importante acolher a pessoa e estar disposto e preparado a ouvir sem julgamentos as intenções de tirar a própria vida. Elas aparecem direta ou indiretamente, por meio de frases como “se pudesse, eu dormia e não acordava”, “minha vida não tem sentido”, “eu sou um fardo” ou “morrer seria um alívio para mim”.

Especialistas indicam que a melhor maneira de lidar com a questão é perguntar da forma mais direta possível: “Onde está doendo? ”, “O que está acontecendo com você?” e “Como eu posso te ajudar?”. E, em seguida, buscar acompanhamento psicológico e psiquiátrico para o indivíduo.

Apesar de existir uma correlação grande entre suicídio e doenças mentais, como depressão, transtorno de humor bipolar, dependência de álcool e outras drogas psicoativas, não se pode determiná-las como as únicas causas.

“Nem todo mundo que se mata está deprimido, nem todo deprimido se mata. Nem todo mundo que quer morrer, quer se matar. Na verdade, a pessoa quer viver. Ela quer sanar o sofrimento, uma dor desmedida na vida que tem. É esse o tempo que a gente tem para trabalhar, para cuidar desse sujeito, para que ele possa enxergar outras formas de vida”, afirma Soraya.

Nem sempre o caminho até o serviço de psiquiatras e psicólogos é rápido e simples. Além dos estigmas sociais, a própria rede de saúde pública é restrita.

Fila de espera

Na Bahia, o Neps é o único órgão especializado em prevenção do suicídio.  Fundado há 10 anos, o núcleo atende cerca de 300 pessoas e neste momento conta com fila de espera.

O trabalho que começou com o atendimento a pacientes que davam entrada no hospital por tentativa de suicídio, hoje alia o tratamento convencional psicoterápico e médico com ações de prevenção que trabalham as possibilidades de produção de quem já tentou suicídio, como leitura, rodas de leitura, cinema e jornal, envolvendo a rede em torno delas.

Antes de fundar o Neps, Soraya Carvalho trabalhou 16 anos atendendo pessoas que já tinham tentado suicídio no Roberto Santos.

E os relatos de quem é atendido pelo núcleo mostram que é possível acreditar na vida, apesar das dores existenciais. “Depois de todos esses anos [de sofrimento], eu só vim realmente ter esperança de que eu posso ter uma vida normal, mesmo com os traumas e as dores que eu já passei, quando conheci o Neps e outras pessoas que têm problemas e transtornos semelhantes ao meu”, conta Amanda, que concilia o tratamento com as aulas na Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Sobreviventes

A assistência também deve ser dada aos sobreviventes, denominação dada a parentes e amigos de quem comete suicídio, além daqueles que não conheciam as vítimas, mas lidam de alguma forma com a morte delas.

“Depois que acontece, todo mundo acaba vendo os indícios que não via. Aí começa a desenvolver teorias, perceber o que não notava”, conta o produtor Murilo Fróes, que perdeu um amigo de mais de 15 anos para o suicídio. “Ele sempre foi uma pessoa muito fechada, reservada e ninguém notou uma mudança de comportamento. Eu conhecia uma pessoa que a própria família não sabia que existia”.

A jornalista Paula Fontenelle terminou se tornando uma especialista no tema depois que seu pai se matou. Em 2008, ela lançou o livro Suicídio: o futuro interrompido e no site www.prevencaosuicidio.blog.br ajuda pessoas a enfrentarem a questão, sejam elas familiares ou quem tem a dor existencial.

“Ouvir cuidadosamente, sem julgamentos, com compaixão. E deixar que o outro te dê o limite de até onde pode ir. Mas não apenas partir do pressuposto de que a gente não quer falar”, reforça Paula, que atualmente faz mestrado na George Fox University, em Portland (EUA), pesquisando o tema tratamento de trauma e prevenção ao suicídio.

Solidão

Muitas pessoas com sentimento de solidão encontram no Centro de Valorização da Vida (CVV) um apoio. Presente há 29 anos em Salvador, o serviço presta atendimento 24 horas a pessoas com qualquer tipo de conflito, por telefone (custo de ligação local, em breve será gratuita para todo o país por meio do 188) e chat na internet. Sem, no entanto, substituir o acompanhamento psicológico. De forma sigilosa e anônima, o indivíduo telefona e conversa com um voluntário sobre qualquer assunto.

“O voluntário do CVV é um amigo provisório naquele momento. É como um espelho, no qual a pessoa vê sua imagem refletida e pode pensar o que está acontecendo com ela e encontrar seu caminho, a decisão que precisa tomar, qual ajuda terá”, explica Josiana Rocha, que atua há 27 anos na organização.

Em Salvador, o CVV conta com 41 voluntários, que trabalham cinco horas, uma vez por semana. “Qualquer um pode se voluntariar, não é necessário ser da área de saúde, nem ter formação acadêmica. Basta ter disponibilidade de tempo e doação de calor humano”, enfatiza a voluntária. Interessados em se voluntariar devem procurar o CVV e fazer cadastro.

ONDE BUSCAR AJUDA:

Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps): 71 3116-9440, em horário comercial

Centro de Valorização da Vida (CVV): 71 3322-4111 ou 141 (capitais) / www.cvv.org.br

LOCAIS COM ATENDIMENTO PSICOLÓGICO E PSIQUIÁTRICO GRÁTIS OU DE BAIXO CUSTO:

NAPSI – Núcleo de Atendimento Psicológico

Av. Ademar de Barros, 343, Ed. Julio Call, sala 108 – Tel.: 3247-5020. Psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação profissional, psiconcologia.

CEFAC – Centro de Estudos de Família e Casal

Parque Lucaia, Ed. WM – Tel.: 3334-3150 Psicoterapia individual, conjugal e familiar.

CECOM – Centro Comunitário Batista Cleriston Andrade

Rua Lord Cockrani, Garibaldi – Tel.: 3235-8114. Atendimento individual e em grupo.

CCVP – Complexo Comunitário Vida Plena

Rua Artur Gonzales (fim de linha de Pau da Lima).

COFAM – Centro de Orientação Familiar

Av. Joana Angélica, 79, Pavilhão Julia Carvalho, Internato Nossa Sra. de Misericórdia – Pupilleira. Tel: 3242-5959. Atendimento de psicoterapia individual e em grupo uma vez ao mês. Não cobra taxa.

Lar Harmonia

Rua Dep. Paulo Jacson, 560 – Piatã. Tel.: 3286-7796, ramal 119. Psicoterapia individual, em grupo, familiar e orientação profissional. Não cobra taxa.

Centro de Valorização da Vida

R. Luis Gama, 47 – Nazaré – Tel.: 3322-4111; 3244-6936 Atendimento por telefone 24 horas e pessoalmente das 7h às 18h.

IJBA -  Instituto Junguiano da Bahia

Alameda Bons Ares, 15, Candeal Salvador - Bahia. Marcação de Consultas: (71) 3356-1645

Faculdades

BAHIANA

Av. Dom João VI, 275 – Brotas. Tel.: 3276-8259 Cadastro por telefone em janeiro e em junho. Não é cobrada taxa.

UNIFACS – NEPPSI

Rua Ponciano de Oliveira, 126, 1º andar. Av. Anita Garibaldi, Rio Vermelho. Tel.: 3330-4677 / 4678 Cadastro por telefone. Psicoterapia individual, grupal e familiar.

FTC

Av. Luis Viana Filho, 8.812, Paralela. Tel.: 3281-8073 Cadastro por telefone. A taxa varia de acordo com o paciente. Psicoterapia individual, grupal e familiar.

UNIJORGE

Av. Luis Viana Filho, 6.775, Paralela. Tel.: 3206-8015 / 3534-8000. Cadastro por telefone.

IMAS – Instituto Multidisciplinar de Assistência à Saúde do Centro Universitário Jorge Amado

Av. Edgard Santos, s/nº – Narandiba – Salvador. Tel.: (71) 3103-3900.

UFBA

Estrada de São Lázaro, 170, São Lázaro – Tel.: 3235-4589. Cadastro por telefone no inicio de cada semestre. Psicoterapia e Orientação Profissional.

Ruy Barbosa

Rua Theodomiro Batista, 422 – Rio Vermelho. Tel: 3334-2021 / 3205-1745. Psicoterapia individual, grupal, familiar e orientação profissional.

UNINASSAU: inscrição online para atendimento psicológico de adultos no seguinte link - http://bit.ly/2jj8ulF

Verena Paranhos

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Planos de Witzel de usar drone que faz disparos em ações policiais no Rio são criticados por especialistas

Com pautas semelhantes às do presidente eleito Jair Bolsonaro para o combate à violência, que contemplam, por exemplo, o princípio de “excludente de ilicitude” para as ações de policiais em confronto, o governador eleito Wilson Witzel planeja viajar para Israel, no ano que vem, para buscar tecnologias para uso na área de segurança. Ele deve ir acompanhado do deputado estadual, que se elegeu para o Senado, Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente eleito, de acordo com informação da coluna de Berenice Seara, do EXTRA. Os dois se encontraram e discutiram, entre outros recursos técnicos, o uso de drones que levam armas acopladas. Esta semana, Witzel já havia defendido o abate de criminosos com fuzis, que foi criticado por especialistas e pelo atual ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. O futuro ministro da Defesa, general Augusto Heleno, no entanto, apoiou a ideia, adotada, segundo ele, no Haiti.

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