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Segunda, 21 Ago 2017

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US$ 7 trilhões para salvar o planeta

Quem acompanha a evolução do conceito de sustentabilidade nas empresas sabe que o dinheiro, inicialmente visto como um obstáculo, sempre exerceu um papel central no desenvolvimento de uma economia mais limpa e humana. Racionalmente, não há argumento possível contra a ideia de melhorar o mundo. A não ser quando se trata de reduzir o crescimento econômico, seja das empresas, seja dos países. Nesse ponto específico, sustentabilidade e dinheiro, a todo o momento, são colocados como conceitos antagônicos, ligados umbilicalmente, mas caminhando em direções opostas, um impossibilitando o avanço do outro.

Agora, quem observa os avanços sociais, ecológicos e econômicos dos últimos anos, sabe, também, que essa conjuntura mudou. O dinheiro, hoje, está para a sustentabilidade assim como a cerveja está para o personagem de desenho animado Homer Simpson: é a causa, e a solução, de todos os problemas. A grana e, especificamente, o lucro, deixaram de representar barreiras intransponíveis para o desenvolvimento sustentável, ainda que, contraditoriamente, sejam responsáveis por muitas das mazelas globais.

O capitalismo desenfreado e predatório segue como o grande responsável pelo desmatamento, pela emissão de gases do efeito estufa, pela desigualdade social etc. Ao mesmo tempo, é o mercado financeiro que dá um impulso fundamental para o avanço da economia de baixo carbono e socialmente responsável. E faz isso na forma de uma montanha de dinheiro. Mais especificamente, de US$ 7 trilhões. Este é o montante que, segundo cálculos de ONGs e entidades que monitoram o mercado financeiro, será deslocado da chamada economia “suja” e colocado na economia “limpa” nos próximos cinco anos.

Segundo Jorge Pinheiro Machado, diretor na América Latina do Regions of Climate Action (R20), coalizão de governos municipais e estaduais, empresas e entidades do terceiro setor, fundada pelo ator e ex-governador da Califórnia (EUA) Arnold Schwarzenegger, a conta leva em consideração os grandes fundos de investimentos globais, como os soberanos e os de previdência, além de seguradoras, gestores de recursos e outros agentes do mercado financeiro que estão oficialmente comprometidos a descarbonizar parte de seus portfólios. Em média, calcula-se que 5% dos ativos desses gestores passarão por esse processo.

São atores financeiros que fazem parte de uma série de movimentos voltados para uma atuação mais responsável dos investidores, caso do Principles for Responsible Investment (PRI), iniciativa da ONU que promove a inclusão de critérios sociais e ambientais na lógica dos investimentos. Seus mais de 1,7 mil signatários concentram nada menos do que US$ 62 trilhões em ativos. Caso também do Carbon Disclosure Program (CDP), ONG que visa incentivar as empresas a mapearem e divulgarem informações sobre gestão de mudanças climáticas.

Financiado pelo governo britânico e pela Rockefeller Foundation, o CDP é, hoje, o maior banco de dados sobre os impactos climáticos das empresas no mundo. Seus mais de 800 signatários são responsáveis por gerir cerca de US$ 100 trilhões em ativos. “Nós sabemos que há um forte movimento para a descarbonização dos investimentos”, afirma Juliana Lopes, diretora do CDP na América Latina. “Mas, apesar dos valores envolvidos estarem na casa dos US$ 7 trilhões, há uma dificuldade em fazer essa pauta avançar.”

Entre os fundos comprometidos com o movimento estão, por exemplo, o Fundo Soberano da Noruega, um dos maiores do mundo, com cerca de US$ 1 trilhão em ativos, que recentemente retirou do seu portfólio empresas que exploram a cadeia do carvão. Nos Estados Unidos, o Fundo de Pensão de Nova York, terceiro maior do tipo no país, também está descarbonizando seus ativos, que somam US$ 185 bilhões. O fato é que o mundo parece ter chegado a um ponto de inflexão, no qual a velha dicotomia entre sustentabilidade e desenvolvimento resiste apenas como pensamento ideológico, de ambos os lados.

“Sempre tivemos, de um lado, os ativistas, e de outro os desenvolvimentistas. Ambos estão errados”, afirma Pinheiro Machado, do R20. “Não se trata de evitar uma catástrofe global, nem de negar o aquecimento global. Esse movimento representa uma oportunidade de negócios.” Quem ficar de fora, irá perder dinheiro? Não necessariamente. Mas é inegável que o momento é de mudança para uma nova economia, pautada na sustentabilidade e financiada pelos donos das maiores fortunas do mundo. “O empresário que não se engajar nessa transformação deixará sua empresa atrasada”, diz Pinheiro Machado.

OPORTUNIDADES O fenômeno da descarbonização dos grandes fundos cria oportunidades em áreas como energias renováveis, gestão de recursos hídricos, mobilidade urbana, controle da poluição, adaptação às mudanças climáticas, entre outras. Qualquer empresa pode se candidatar a uma fatia do bolo, desde que tenha acesso ao mercado financeiro. Mas, como qualquer modalidade de investimento e crédito, é preciso dar garantias aos donos do dinheiro. Apesar da vontade declarada de aportar esse dinheiro, ninguém irá distribuir US$ 7 trilhões a esmo, nem financiará uma empresa apenas por ela pintar seu logotipo de verde e separar o lixo reciclável.

Parte desse movimento dos financistas sustentáveis consiste em criar e promover mecanismos financeiros que permitam ao capital encontrar oportunidades seguras e em conformidade com padrões fiduciários internacionais. “Esse é um desafio para as bolsas de valores do mundo inteiro”, afirma Sonia Favaretto, diretora de imprensa, sustentabilidade de comunicação da B3, a bolsa brasileira. “Há uma demanda crescente por investimentos ‘verdes’ e estamos buscando criar ferramentas para o investidor nesse mercado, como índices e títulos de dívida.” Nesse sentido, uma das opções mais populares são os chamados green bonds, ou títulos verdes.

Os green bonds são, basicamente, títulos de dívida convencionais, com algumas exigências a mais. O emissor se compromete a destinar os recursos captados em projetos verdes. Ele também deve adotar algum nível de transparência sobre o uso desses recursos e, o mais importante, validar o projeto por meio de uma avaliação externa. O primeiro título verde emitido foi listado pela bolsa de valores de Luxemburgo (LuxSE), em 2007. Desde então, somente na LuxSE, outros 114 green bonds foram emitidos, totalizando um valor de US$ 55 bilhões.

Estima-se que, até 2020, esse mercado movimente US$ 1 trilhão, globalmente. Quatro empresas brasileiras entraram nessa onda e emitiram seus green bonds: Suzano Papel e Celulose, BRF, Fibria e CPFL (veja quadro ao final da reportagem). “Os investidores valorizam empresas sustentáveis durante o processo de alocação de capital”, afirma Walter Schalka, presidente da Suzano. “E a nossa empresa depende de recursos naturais para o seu dia a dia. Por isso, quanto mais praticarmos ações de conservação, mais contribuiremos para a perenidade dos nossos negócios.”

Entre os projetos a serem financiados pelos títulos verdes da pela Suzano, cujos valores ultrapassam a marca dos R$ 2 bilhões, estão questões puramente ambientais, como a restauração de florestas nativas, mas também iniciativas ligadas diretamente ao negócio da companhia, caso da gestão florestal e do uso da água. Mas o ponto principal dessa abordagem não está na busca por um crédito mais barato – os green bonds, por sinal, acabam saindo até mais caros pela necessidade de avaliação externa. “Estamos nos posicionando”, afirma Marcelo Bacci, diretor executivo de finanças e de relações com investidores da empresa.

Ele explica que, no futuro, esse tipo de postura será pré-requisito não só para a atração de recursos, como para a obtenção de crédito. Essa visão é compartilhada por Elcio Ito, diretor de finanças e relações com investidores da BRF. “Esse é o caminho que o mercado está tomando e, à medida que o volume de emissões cresça, seu custo se tornará mais competitivo”, afirma Ito. A empresa de alimentos foi a primeira a utilizar o modelo, emitindo notas no valor de € 500 mil, em 2015.

Do lado das instituições financeiras, a visão é de que, no fundo, todo esse papo de sustentabilidade se resume a uma só palavra: risco. “Empresas que adotam estratégias sustentáveis são mais eficientes e, portanto, oferecem menos risco para investidores e credores”, afirma Denise Hills, superintendente de sustentabilidade do Itaú. Maior banco privado do Brasil, o Itaú vem, há alguns anos, incorporando análises de impacto social e ambiental em seus cálculos de risco. Clientes corporativos que não se enquadram nessas políticas têm mais dificuldade em conseguir empréstimos.

Segmentos da economia com alta emissão de carbono, como o de energias sujas, também possuem classificação de risco de crédito (rating) mais baixa. Ao mesmo tempo, os executivos do Itaú estão sendo compelidos a pensar de forma sustentável no momento de criar ou vender produtos. O departamento comandado por Hills, por sinal, tem poder de veto sobre qualquer iniciativa comercial da empresa. Se ela disser não, somente a presidência do banco, hoje sob o comando de Candido Bracher, pode reverter a decisão. “É uma mudança cultural que estamos promovendo, com total apoio da liderança da empresa”, diz Hills.

Para Tomás Carmona, superintendente de sustentabilidade da Sulamérica, uma das maiores seguradoras brasileiras, o mundo está caminhando para uma nova economia e, a partir do momento em que o mercado financeiro entra nessa trilha, não há como evitá-la. “A economia baseada no uso descontrolado dos recursos naturais já entrou no cheque especial faz muito tempo”, diz Carmona. “Há quem ainda foque apenas nos ganhos imediatos. Mas, no caso de uma seguradora, ou de fundos de pensão, é preciso considerar um intervalo de tempo de décadas.” Nesse sentido, desconsiderar o risco de uma mudança climática, ou um impacto social grave, torna-se muito arriscado.

Por esse motivo, a Sulamérica adotou critérios como o de não investir em energias sujas ou empresas de tabaco. Outra questão é que muitos negócios estão sendo amplamente transformados por causa da tecnologia. Isso faz empresas como a Ford, segunda maior montadora americana, a buscarem novas ideias, e isso envolve olhar para fora da empresa. “Não podemos desassociar a empresa do impacto social que ela causa”, afirmou Jim Vella, presidente do Ford Fund, braço de filantropia da companhia, que esteve no Brasil na semana passada para anunciar uma parceria coma ONG Artemisia, focada em negócios de impacto social.

Para pegar sua parte dos US$ 7 trilhões, as empresas brasileiras precisam fazer a lição de casa e desenvolver projetos que se qualifiquem às demandas dos investidores. Algumas já saíram na frente. Das quatro que emitiram títulos verdes, duas estão no setor de papel e celulose (Suzano e Fibria), uma no agronegócio (BRF) e outra no setor de distribuição de energia (CPFL). Não é apenas coincidência. Essas são áreas com grande potencial para atrair investimentos sustentáveis.

As empresas de celulose são grandes gestoras de florestas que, naturalmente, sequestram e estocam carbono, contribuindo para a redução dos gases de efeito estufa na atmosfera. Ou seja, se bem geridas, essas companhias facilmente se enquadram numa modelo econômico de baixo carbono, sendo elegíveis para receber uma fatia dos US$ 7 trilhões. O mesmo vale para o segmento de energia. Tanto que a CPFL, recentemente comprada pela chinesa State Grid, possui um braço focado nas renováveis, a CPFL Renováveis. O caso do agronegócio é um pouco mais complexo.

DESTINO NATURAL Pelas suas características, o Brasil tem um potencial gigantesco para atrair investimentos verdes. Mais de 60% do território nacional é coberto por florestas, sejam nativas ou plantadas. Há abundância de sol e vento para a geração de energia limpa, sem contar o etanol, que pode facilmente substituir a gasolina no transporte. E tem o agronegócio, que também poderia se colocar como uma força nessa nova economia. Mas, ainda que empresas como a BRF caminhem nessa direção ao adotarem ferramentas avançadas de gestão no campo, existe um setor ruralista atrasado, que baseia suas estratégias na abertura de novos pastos com a derrubada de florestas.

“Nos últimos anos, houve um aumento no desmatamento da Amazônia, o que prejudica a credibilidade do Brasil junto aos investidores internacionais”, afirma Juliana Lopes, do CDP. Recentemente, o Congresso aprovou algumas Medidas Provisórias que reduzem a área de proteção ambiental no Parque do Jamanxim, no Pará. “Isso é um enorme retrocesso”, diz Lopes. O singular, nesse caso, é que, em tempos de crise econômica, há uma enorme oportunidade para o País, que é amplamente reconhecida pelos investidores e analistas de fora, mas ignorada, em grande medida, internamente.

O ceticismo, é verdade, não é exclusivo do Brasil. Existem ainda alguns setores que resistem às mudanças e, para isso, utilizam-se de discursos pouco embasados, como o de que o aquecimento global é uma “farsa promovida pelos chineses para prejudicar a economia ocidental”. Esse grupo encontra na figura de Donald Trump seu grande expoente. Agora, basta olhar para os Estados Unidos, mais especificamente para a Califórnia, para verificar como abraçar a economia de baixo carbono é uma ideia melhor do que negar a ciência. O estado da costa Leste é um símbolo da nova economia e, há pelo menos cinco anos, vem superando todos os outros estados em praticamente qualquer métrica econômica.

A Califórnia concentra 12% da população americana, mas foi responsável por 17% da criação de empregos no país, entre 2012 e 2016, e por um quarto do crescimento do PIB, no mesmo período. Isso graças a uma economia focada na tecnologia e na inovação. Recentemente, no dia em que Trump anunciou que vai retirar os EUA do Acordo de Paris, o ex-governador Schwarzenegger publicou um vídeo com um recado ao presidente. “Nós temos as leis ambientais mais rígidas do país e, no ano passado, geramos mais empregos do que qualquer outro Estado”, afirmou o astro de “O Exterminador do Futuro”. “E nenhum outro homem pode voltar no tempo. Só eu.” Ele sabe do que está falando.

Rodrigo Caetano, Revista Isto É Economia.

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Repórter Bahia/Materias em vídeo

Em entrevista ao programa Conexão Roberto d'Ávila, exibida na noite desta quarta-feira (5) pela GloboNews, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que precisou fazer uma "escolha de Sofia", ao ouvir a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer, feita durante um encontro dos dois no Palácio do Jaburu, em Brasília. A divulgação da conversa levou Janot a abrir investigação contra Temer e, posteriormente, a denunciar o presidente por corrupção passiva. Por GloboNews/Vídeo: EuAssisti.

Bandeira de Capim Grosso

Matéria Espeial RepórterBahia.Com

O Rio São Francisco é uma correnteza de prosa e poesia. Tudo o que se relaciona ao Velho Chico, seu misticismo, sua trajetória histórica e sua importância econômica, social e cultural, inspira músicos, pintores e escritores, que vêm contando através da arte e da literatura a sua existência de 516 anos. O mundo inteiro o conhece como uma das maiores riquezas naturais do país e da América do Sul. Um verdadeiro patrimônio hídrico que banha cinco Estados brasileiros, percorrendo uma extensão de 2.700 quilômetros, a partir da sua nascente, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a foz, na divisa de Sergipe e Alagoas, passando pela Bahia, por Pernambuco e Alagoas. Nesse trajeto, o rio corta serras, matas e vales, irrigando a agricultura das famílias do Sertão, abrindo caminhos para a navegação e oferecendo o alimento da população.

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Gostaria de informar ainda que estamos através de Valter Oliveira que é o nosso grande parceiro administrativamente trabalhando para restaurar o blog que será utilizado nessa nova fase do nosso trabalho como link de acesso a nova marca do jornalismo da Bahia, REPÓRTERBAHIA, no ar desde essa quarta-feira, 21 de Dezembro de 2016.
Entendo que mudanças como essas vão precisar de tempo para alcançar o mesmo patamar de acessos e assiduidade dos nossos leitores, mas não estamos sozinhos, temos Deus nos comando e a parceria de muitos amigos e leitores conquistados nesses sete anos de blog, nesses sete anos de muito trabalho e dedicação ao jornalismo, a nossa grande paixão na comunicação.

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